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Mude seus hábitos e chegue mais rápido

Por Rodrigo Tosta – ironguides coach

 

Todo atleta, independente de ser iniciante, intermediário ou avançado, deseja uma melhor performance, um melhor resultado. Essa busca incessante quase sempre é baseada na quantidade de horas que se dedica aos treinos, assim como na intensidade com a qual esses treinos são feitos e também em quais equipamentos e suplementos poderão trazer essa evolução.

 

Porém, seus hábitos vão além de tudo isso e muitas vezes pequenas mudanças podem gerar ganhos incríveis e te levar, literalmente, para um outro patamar como atleta.

 

Numa recente pesquisa sobre esse tema, os resultados talvez nos mostrem que muito além do talento genético, do volume/intensidade de treinamento e acesso aos melhores equipamentos/suplementos, estão alguns hábitos que qualquer um de nós pode e deve incorporar na busca da evolução no esporte, visto que apenas 2% das pessoas que participaram da pesquisa registraram hábitos semelhantes aos dos triatletas profissionais, 8% das pessoas demonstram hábitos compatíveis com o de amadores campeões de provas como Kona e mundiais da ITU, 18% mantém hábitos de amadores que frequentemente sobem no pódio em provas regionais e cerca de 70%, ou seja, a grande maioria, sustenta os hábitos de triatletas que não passam do meio do grupo de classificação.

Dentre várias, vamos destacar sete áreas nas quais os triatletas profissionais tem bastante preocupação em manter os melhores hábitos possíveis que, de forma consistente, ao longo de anos, os levaram a ter os desempenhos que vemos hoje em dia e juntamente com essas sete áreas colocaremos algumas opções para que você avalie seus hábitos da seguinte forma:

  • sempre faço isso.
  • deveria estar fazendo, mas não sei como.
  • não me preocupo com isso.

Rodolfo Oliari

METAS

  • Eu tenho uma meta de longo prazo específica no esporte (tornar-me profissional, classificar-me para Kona, pódio na categoria, etc.).
  • Todo ano eu divido as metas da temporada: 1 mês, 3meses , 6meses, 12meses.
  • Assim como as metas da temporada, também tenho metas intermediárias no meu treinamento e provas.
  • Estou constantemente medindo meu progresso em relação aos meus objetivos, e, ocasionalmente, modificando-os (com base nos resultados das provas, adaptação ao treinamento, etc).

 

PLANEJAMENTO

  • Eu crio planilhas de treino, com base em minhas metas de prova.
  • Eu agendo sessões específicas para certificar-me de eu estou me mantenho no caminho certo.
  • Eu ocasionalmente ajusto o meu plano de treinamento com base em dados de treinamento.
  • Eu agendo semanas de recuperação e um período “off season” em meu planejamento para me dar tempo de recuperar totalmente.

 

NUTRIÇÃO

  • Eu sei exatamente o que comer antes dos meus treinos para obter o máximo proveito deles.
  • Me atenho a um plano de nutrição pós-treino para ajudar meu corpo a se recuperar e se desenvolver.
  • Eu calculo minhas necessidades nutricionais para uma prova.
  • Depois de uma prova eu tenho um plano de recuperação de nutrição que eu começo imediatamente.

 

TREINAMENTO

  • Eu procuro melhorar a minha técnica de natação agendando exercícios específicos em minha planilha.
  • Eu corro regularmente na esteira para me concentrar no meu ritmo de passadas.
  • Quando eu corro me concentro em contrair o abdômen e relaxar os ombros.
  • Eu realizo pelo menos duas sessões por semana em um rolo de ciclismo indoor.

 

DIA DA PROVA

  • Antes de cada prova, eu faço uma lista de verificação com todos os equipamentos e suprimentos que eu vou precisar.
  • Eu testo novos equipamentos, pelo menos, alguns meses antes da prova em sessões de treino que simulam as condições de competição.
  • Pelo menos uma semana antes da prova, eu cuidadosamente inspeciono e testo todo o meu equipamento.
  • Eu uso um plano de polimento (taper) para evitar o excesso de treinamento antes da prova.

 

ATITUDE MENTAL

  • Desde o início da temporada, eu visualizo o meu objetivo de prova durante as sessões de treinamento.
  • Uma semana antes da prova, eu me concentro em meu equipamento e treinos para me preparar para condições do dia da prova.
  • Um dia antes da competição, eu visualizo toda a prova do início ao fim (incluindo planos de emergência caso as coisas deem errado).
  • Durante a prova eu esqueço o resultado e me concentro no momento presente.

 

EQUIPAMENTOS

  • Na bicicleta, eu me preocupo muito em fazer um bom “bike fit”.
  • Na natação, eu uso palmar, pullboy, elástico, borracha, pé-de-pato.
  • Eu pesquiso o equipamento que eu pretendo adquirir com fontes confiáveis antes de compra-lo.
  • Eu testo todo o meu equipamento de prova bem antes da competição e cuido meticulosamente dele.

 

Agora que você conheceu as sete áreas fundamentais e avaliou seus hábitos referentes à elas, entenda que se você escolheu a opção 1 (sempre faço isso) para todas as questões significa que você tem hábitos muito semelhantes aos dos triatletas profissionais, o que te coloca entre aqueles 2% indicados pela pesquisa e se você ainda não é um triatleta profissional, mantendo esses hábitos de forma consistente aos longo dos anos tem tudo para se tornar um. Caso na maioria das opções sua escolha tenha sido a 2 (deveria estar fazendo, mas não sei como), talvez seja interessante você procurar um profissional especializado para lhe ajudar e juntos conseguirem dar esse salto de qualidade. E por último, se você escolheu 3 (não me preocupo com isso) para quase todas as opções, olhe pelo lado positivo, você tem um enorme lastro para mudanças o que certamente vai ter um impacto gigantesco em seus resultados.

 

E aí, o que está esperando para implementar essas mudanças em seus hábitos e cruzar a linha de chegada mais rápido?

 

 

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Rodrigo Tosta, Coach ironguides

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Entendendo o Túnel de Vento e o impacto que NÃO deve ter em suas escolhas

Por Vinícius Santana – ironguides.com.br

O Triathlon atrai um perfil psicológico extremamente competitivo, seja com objetivos pessoais: melhorar seus próprios tempos e completar provas de longa distância; seja também com objetivos de vitórias: Pódios e classificações para mundiais.

Sabendo disso, a indústria do esporte está direcionando a maior parte de seu marketing para oferecer melhor performance a seus usuários. Para convencer você que é atleta amador a comprar os produtos, existe duas maneiras tradicionais:

1) Patrocínio de atletas de alta performance

O patrocínio de atletas de performance agrega credibilidade aos equipamentos, afinal “Se o campeão da prova X usa, deve ser bom”. Porém, vale esclarecer que esses atletas vivem uma realidade muito diferente do atleta amador e iniciante. Possuem anos de experiência o que lhes confere mais técnica, melhor condicionamento físico, e até mesmo o fato de terminarem a prova em um tempo menor.

É difícil comparar, por exemplo, a posição ideal em uma bicicleta de contrarrelógio de um atleta amador (talvez um pouco fora do peso, que trabalhe sentado por 8 horas ao dia) com a posição de um triatleta profissional de 25 anos. Lembre-se que a grande maioria dos equipamentos de performance tem o atleta profissional em mente. Portanto, cuidado com uma ilusão comum: “Se serve para fulano X, serve para mim”.

2) Criação de produtos baseados em testes no Túnel de Vento

De uma maneira bem simples e resumida, o Túnel de Vento é uma ferramenta que lhe permite mensurar a aerodinâmica de diversos itens.

O maior problema de testes feitos no túnel de vento, é que os números resultantes são gerados com o ciclista a 50km/h, mas quem realmente roda nessa velocidade? Lembrando que resistência do vento é algo exponencial, ou seja, a diferença que qualquer equipamento faz a 50km/h é muito menor do que a 40km/h e ainda menor a 30km/h.

A posição do ciclista no túnel de vento é outra situação que não é real no dia da prova, pois nos testes ela é praticamente (ou totalmente) estática. Ficar em uma posição agressiva por alguns segundos durante os testes é fácil, mas e sustentá-la por horas? No dia da prova você move sua cabeça para observar outros atletas, bebe água, pedala fora do selim, alonga as costas, entre outras mudanças de posição.

E por último, o Túnel de Vento tem condições climáticas e geográficas que são estáveis, o contrário da realidade de uma competição. E no caso de descidas técnicas e perigosas, chuvas e ventos?

Baseado nesses princípios, com frequência vemos atletas iniciantes fazendo escolha de equipamentos que para o nível deles não é apropriado. Os mais frequentes estão mencionados abaixo.

Rodas

Nossa recomendação: Mantenha sua roda de treinos! Se o orçamento não for um problema, compre rodas de qualidade, leves, e as mantenha sempre com o cubo revisado e pneus novos.

O padrão: As rodas aerodinâmicas de carbono são quase que material obrigatório entre os atletas de elite, sejam fechadas ou semi-fechadas e geralmente com pneus tubulares, o que também prometem melhor performance.

Para um atleta iniciante, as rodas de carbono têm alguns problemas que podem piorar sua performance, são eles:

Confiança: O Perfil de carbono faz com que os freios não funcionem tão bem como nas rodas de alumínio.

Pneu Furado: Quem já trocou um pneu tubular sabe o quão difícil isso pode ser na prática, principalmente no meio de uma prova e com as mãos suadas. Inclusive, em 2005, o atual campeão mundial de Ironman Normann Stadler não conseguir trocar um pneu sozinho, e precisou esperar pela equipe de apoio. Isso aconteceu com um atleta com inúmeros anos de experiência.

As tradicionais rodas de treinos lhe darão oportunidades para praticar esta troca, e você sabe que se por acaso tiver um furo durante a prova, não será um problema.

Aerobars (Guidon de Contra-Relógio)

Nossa recomendação: Guidon tradicional de ciclismo, com STI e um aerobar estilo “clip on” é uma excelente opção. Primeiro, pelo guidon lhe dar mais estabilidade que os tradicionais aerobars e segundo, porque você tem o STI, marchas e freios com alta qualidade e precisão, em uma posição estável e segura.

O padrão: Quanto mais rápido no Túnel de Vento, melhor! O problema é que para atingir esse objetivo os novos modelos não consideram conforto e até mesmo segurança como é no caso da área de apoio nas manetes de freio. Confiança é novamente o maior obstáculo.

Se chover então, você não tem qualquer tipo de suporte e suas mãos podem escorregar facilmente. Para um atleta com experiência limitada, isso gera insegurança, e consequentemente menos velocidade.

Conclusão, equipamentos básicos (e mais baratos) com frequência resultam em uma melhor performance para atletas iniciantes! Cuidado em suas escolhas e tenha certeza que seu equipamento seja apropriado para seu nível de performance e objetivos.

Bons treinos.

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Vinicius Santana, Coach ironguides

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Como atingir seu pico de performance no momento certo?

Por Rodrigo Tosta – ironguides coach, Rio

De uma forma geral, todos os atletas buscam estar o mais bem preparado possível para suas competições. Sonham em fazer daquela prova um momento “mágico”, o qual conseguem um desempenho espetacular, tanto físico quanto psicológico, sem nenhum erro, de uma maneira excepcional e natural. E é nesse dia que, geralmente, os atletas conseguem seus recordes pessoais e, muitas vezes, superam suas expectativas. Esse momento crucial, em que o atleta e seu técnico trabalham duro na busca da excelência, é o que chamamos de “pico de performance”.

Para alcançar o pico de performance, é preciso que o atleta estabeleça objetivos e tenha autodisciplina para alcançar essas metas. Os objetivos devem ser estabelecidos bem cedo na temporada e devem ser baseados em performances do passado, capacidade física e opinião de um técnico (se possível). Os objetivos não devem ser absolutos e podem sofrer ajustes durante a progressão dos treinos.”

Dentro dos métodos mais tradicionais de treinamento, o processo do pico acontece através do aumento gradual da distância e intensidade, com uma fase final de treinos para trabalhar velocidade e técnica, e treinos que simulam situações e intensidade dessas corridas. Durante a semana de descanso ou polimento, o corpo é recarregado com energia e, psicologicamente, o atleta estará “faminto” para competir e dar o melhor de si. Esse pico de performance poderá acontecer entre uma e duas vezes por temporada. Fazer um planejamento de pico é extremamente difícil por causa do congestionamento nos calendários das corridas e também das variedades delas, além das nuances e contratempos ocorridos na vida de todos os atletas, principalmente os amadores.

É exatamente por isso que existem linhas de pensamento que confrontam, de certa forma, esse tipo de abordagem na busca do pico de performance. O “Método”, filosofia de treinamento utilizada pela ironguides é uma dessas linhas de pensamento.

Na ironguides, acreditamos que podemos ter vários picos de performance durante o ano e isso se dá em função de uma grande consistência durante o treinamento e da exaustiva repetição das séries de exercícios, migrando o foco durante o ano dentro das valências físicas que chamamos de 5 sistemas (Força, Velocidade, Tolerância ao Lactato, Endurance e Habilidades Motoras). Assim, podemos manter sempre um bom nível de treinamento e enquanto treinamos um sistema, os outros descansam.

Existem muitos benefícios provenientes desse tipo de abordagem. Como benefício mental, podemos dizer que dessa forma somos capazes de competir com mais frequência. Isso gera um maior aprendizado em função das experiências vividas, já que podermos testar várias estratégias diferentes de prova até encontrar a que melhor se adapte. Além disso, podemos diminuir a pressão que pesa sobre os ombros dos atletas que “miram” apenas uma única prova durante o ano. Essa diminuição da pressão deixa o atleta mais relaxado para desempenhar todo seu potencial e ensina que toda prova deve ser tratada apenas como mais uma prova e não como a mais importante.

Um fato que nos fez perceber isso, nitidamente, foi quando, nas últimas Olimpíadas em Londres, a triatleta suíça Nicola Spirig (campeã olímpica em 2012) estava fazendo um treino intenso e relativamente longo na véspera da prova. Vendo isso, perguntaram ao seu treinador o que ela estava fazendo e se ela não deveria descansar. Ele respondeu: “A prova milionária de Hy-Vee acontecerá em 3 semanas”. Ou seja, até mesmo uma Olimpíada deve ser encarada apenas como mais um evento.”

A campeã olímpica, Nicola Spirig / @Delly Carr

Como benefício físico, podemos dizer que a diferença entre competir com apenas um ou dois dias de treinos mais leves ao contrário de uma semana é pequena em termos de resultados (cerca de 5%), porém, o atleta não vai conseguir ir além do seu limite durante a prova, acelerando assim o processo de recuperação. Quando os atletas estão muito descansados e, logicamente, com um ótimo condicionamento, seus corpos, muitas vezes, vão além dos limites na busca dos melhores resultados e isso gera um estresse fisiológico muito grande, necessitando de um longo período de recuperação. Podemos fazer a seguinte analogia: se você passar uma faca afiada na palma de sua mão, provavelmente, fará um grande corte, que demorará a cicatrizar e talvez você fique com a marca do ferimento por muito tempo. Agora, se você esfregar sua unha na palma da sua mão, você apenas vai promover uma vermelhidão ou um arranhão. Se fizer isso por vários dias seguidos, você tornará a pele da palma da mão mais grossa, áspera e “forte”. É exatamente assim com o treinamento. Se você treinar ou competir de forma muito intensa, pode se machucar seriamente e a recuperação poderá ser muito demorada, enquanto, treinando ou competindo com algum nível de fadiga, você impede que isso ocorra, pois seu corpo não conseguirá ir além do limite.

Com um ou dois dias antes e depois de uma prova, totalizando quatro dias de descanso (fora o dia da prova), ao contrario de cinco a sete dias antes e três dias depois, conseguimos manter a consistência geral dos treinos (esfregar a unha na palma da mão por vários dias). Mas tenha em mente que competir sem muito polimento é como um motor a diesel. Requer um melhor e mais longo aquecimento! Tenha paciência durante a parte inicial da prova ou faça um bom aquecimento e verá os resultados!

É possível continuar treinando até mesmo no dia antes e no dia seguinte à prova, contando que seja um sistema não usado pelo atleta no dia da prova. Como exemplo, podemos citar um longo de natação, no dia antes ou depois de um short Triathlon ou até mesmo tiros anaeróbios de natação no dia depois para ajudar na recuperação, além de ser uma intensidade não usada durante a prova pela maioria dos atletas amadores. Outra história que comprova essa tese: em 2007, no dia seguinte ao Ironman Brasil, estávamos no almoço de premiação e o Reinaldo Colucci (segundo colocado e melhor brasileiro na prova) havia acabado de chegar de um treino de duas horas de ciclismo.

Experimente ser muito consistente em seus treinos, sempre alternando a ênfase dentro dos 5 sistemas e verá que estará sempre pronto para competir e performar bem.”

Bons treinos!

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Rodrigo Tosta, Coach ironguides

 

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Principais erros cometidos por triatletas – Parte 2

Erro número 2: Compensando um treino perdido

Existem diversos motivos que podem atrapalhar sua rotina e lhe forçar a perder um de seus treinos. Demoradas reuniões no trabalho, tempo ruim, compromissos familiares, engarrafamento no trânsito e o motivo numero um, fadiga profunda que faz com que você demore mais para fazer suas atividades, fique com um pouco de preguiça e que quando percebe, já está muito tarde para fazer todo o treino ou você está ainda mais cansado e não conseguirá treinar com a qualidade que queria.

Ao mesmo tempo, apesar de estar mais cansado do que o normal ou só ter a metade do tempo suficiente tempo para treinar, você percebe que ainda da para “salvar o treino”, seja pedalando apenas quarenta minutos dos oitenta minutos programados, ou nadando dois quilômetros ao invés de três. Então vem a pergunta, é melhor treinar um pouco menos e mais devagar agora, tentar compensar esse treino nos próximos dias ou descansar completamente?

Para a grande maioria dos casos, a resposta é: faça o seu melhor AGORA! Existem diversos motivos que justificam treinar menos ou mais devagar é muito melhor do que perder um treino ou tentar compensar esse mesmo treino treinando mais ou mais forte nos dias seguintes:

1) Consistência: O principal motivo é que você fica fora do ciclo vicioso de descanso extra seguido de treino forte. Se ao invés de você treinar menos e mais devagar, você tira um dia de descanso, primeiro virá um sentimento de culpa, e a tendência de tentar compensar aquele treino perdido no dia seguinte, seja treinando mais forte ou com mais volume. O que acontece é que com o descanso extra que você teve quando resolveu cancelar o treino, seu corpo está mais descansado do que o programado em sua planilha de treinamento e você está motivado a treinar mais forte ou por mais tempo.

Essa é uma combinação super perigosa, pois geralmente o resultado é um treino muito mais forte do que o normal no dia seguinte, seja na intensidade ou no volume, o que vai te colocar em um estado profundo de fadiga para o dia seguinte, o que lhe deixará mais desanimado e com preguiça do que o normal, aumentando a tendência de se desorganizar ou perder a motivação, o que gera a falta em um outro treino, e assim você acaba entrando em um ciclo vicioso de:

Descanso não programado
=
Atleta motivado e corpo descansado
=
Treino muito forte ou longo e inadequado
=
Descanso não programado

2) Manutenção da forma física: Quarenta minutos de treino não vai lhe transformar no melhor triatleta de sua categoria, porém se você consegui estimular o sistema de energia e técnica no qual treinaria por mais tempo naquele dia, irá deixar aquele sistema ativo até que tenha tempo ou disposição para treinar novamente, ou seja, apesar de você não estimular adaptações para melhora em sua forma física, irá manter sua forma atual, evitando perdas que viriam com o descanso não programado.

Por exemplo, se em um determinado dia, seu programa indicava um treino de ciclismo nas montanhas de 90 minutos, mas você está em casa e tem 40 minutos até um compromisso familiar, uma alternativa é fazer um treino no rolo, usando marchas pesadas e cadência baixa, que irão estimular um trabalho de força semelhante ao que faria nas subidas.

3) Mantém sua rotina e bons hábitos: Quando você perde um treino por qualquer que seja o motivo, é normal que você se encontre fazendo coisas que geralmente não fazem parte de sua rotina. Uma sensação de que o trem saiu dos trilhos de uma vez por toda, você se encontra indo dormir mais tarde do que o normal, comendo mais junk-food do que deveria e todos aqueles seus hábitos saudáveis, são esquecido pelo simples motivo de que um treino foi perdido e os hábitos que acompanhavam sua rotina, ficaram sem rumo.

Este é outro motivo para que mesmo um treino curto e leve de trinta ou quarenta minutos, é muito melhor do que perder todo o treino, você continua organizado, com bons hábitos nutricionais e de sono, um estilo de vida saudável que anda lado a lado com performance nos treinos e prova.

Portanto, na próxima vez que você só tiver trinta minutos ao invés de duas horas para completar seu longo de corrida, pense duas vezes antes de desistir e deixar para amanhã, pois a longo prazo, faz uma enorme diferença.

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Vinicius Santana, Coach ironguides

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Treinar ou descansar? A grande dúvida!

No artigo anterior tratamos da importância e de como montar um planejamento de acordo com a característica das competições que desejamos participar. Agora vamos tocar num assunto que muitas vezes acontece e “assombra”, principalmente os atletas amadores.Durante o processo de treinamento, que pode durar de semanas a meses, principalmente os atletas amadores, estão sujeitos a mudanças em suas rotinas, sejam referentes ao trabalho, ao endereço de moradia, local dos treinos, questões familiares que muitas vezes exigem nossa presença, entre outros contratempos.

Essas mudanças de rotina, normalmente, interferem no planejamento montado para a prova e por vezes impossibilita a realização de uma ou mais sessões de treino. Por conta disso, o atleta tende a querer compensar os treinos perdidos, encaixando essas sessões em dias e horários que não estavam previstas ou aumentando o volume e/ou a intensidade dos treinos seguintes tentando suprir a lacuna dos treinos não realizados. Essa prática é desaconselhável, já que o corpo leva certo tempo para recuperar cada um dos sistemas treinados. Sobrepondo os treinos e/ou aumentando as cargas de trabalho indiscriminadamente não permitimos ao nosso corpo se desenvolver como deveria e pior, elevamos, consideravelmente, a possibilidade de over training e lesões.

Outra prática recorrente relacionada às mudanças na rotina é realizada pelos atletas muito metódicos. Estes, independente das mudanças ocorridas, não deixam de realizar nenhuma sessão de treino exatamente como está em sua planilha, por acreditar que fazendo tudo que está proposto, independente do contexto, estarão em melhores condições no dia da prova. Acontece que, normalmente, esses atletas ficam doentes durante a fase específica do treinamento, onde os treinos são maiores e mais intensos, pois, muitas vezes, não dormem o número de horas necessárias por noite, acordando mais cedo para conseguir cumprir à risca a planilha ou não dão o intervalo correto entre as sessões de treino de um mesmo dia, o que quase sempre interfere na alimentação pós e/ou pré treino.

Um bom programa de treinos, sempre leva em consideração sua rotina, horários e compromissos. Quando ocorrerem mudanças, comunique, o mais rápido possível, seu treinador para que ele ajuste o treinamento àquela nova realidade. Muitas vezes não há tempo para essa comunicação antes de um determinado treino! Nesse caso, o mais sensato a ser feito é diminuir a carga de treinos. Dessa maneira você pode até não evoluir, mas conseguirá manter sua forma atual devido à consistência nos treinamentos. Mas evite ficar parado, só em último caso. Faça o que der (30, 20 minutos), mantendo a característica do que está proposto em sua planilha. Lembre-se: pouco é melhor do que nada!

Procure respeitar o mínimo de horas de sono necessárias para você. O sono é a melhor forma de recuperação para seu corpo. Fique atento também à sua nutrição, principalmente antes, durante e após os treinos. Isso garantirá energia para exercitar-se e em seguida, auxiliar sua recuperação.

Tente conviver bem com imprevistos e mudanças em sua rotina. Isto vai acontecer! E tenha certeza: descanso também é treino!

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Rodrigo Tosta, Coach ironguides

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Elaborando seu planejamento e quebrando paradigmas

Quando pensamos em participar de uma prova, antes de mais nada, devemos nos certificar de que estamos aptos à completa-la . Se essa não for nossa condição atual, temos que, olhando o calendário de competições, planejar o período de treinos até o grande dia.Mas por onde devemos começar? Bom, isso vai depender das características da prova escolhida: condições climáticas do local, altimetria do percurso, mas principalmente, da distância a ser percorrida.

De posse dessas informações, dividiremos nosso planejamento em três etapas: Período de base, Período específico e Período de polimento. Nesses períodos devemos desenvolver as capacidades físicas referentes à competição que iremos disputar.

Em provas de curta distância, raramente encontramos muitas discordâncias na maneira de estruturar os treinos desses períodos. Inicialmente desenvolve-se o endurance, com alto volume de treinos, no Período de base. Posteriormente, no Período específico, trabalha-se velocidade e força, características fundamentais em competições dessa natureza. E fechando o planejamento, o Período de polimento, vem diminuir, primeiramente o volume e em seguida a intensidade, já que ninguém quer chegar “lento” na prova!

A grande controvérsia está no planejamento de competições de longa distância. É comum vermos a mesma abordagem supracitada. Mas como podemos treinar da mesma maneira para objetivos tão diferentes? Por isso, chamamos nossa abordagem de Periodização Inversa.

Quebrando os paradigmas da prescrição de treinos tradicional, vamos analisar o que realmente devemos treinar em cada um desses Períodos do planejamento. Tomando como exemplo uma prova de Ironman (3.8km de natação, 180km de ciclismo e 42km de corrida), é importante desenvolver força e velocidade no Período de base, pois essas capacidades físicas criarão o alicerce que necessitaremos no dia da prova. Já no Período específico, devemos trabalhar como o nome já diz, explorando as características e particularidades específicas da competição. Nesse caso, o endurance! Por último, no Período de polimento, devemos diminuir primeiroa intensidade e mais tarde o volume, visto que o objetivo desse período é nos manter treinados, porém descansados até a hora da largada!

Agora, é só marcar na agenda seu próximo desafio e se planejar. Mas lembre-se: se você quer obter novos resultados, quebre os paradigmas!

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Ironman 70.3 Rio De Janeiro – Análise de Percurso

É com muita alegria que recebemos a confirmação do Ironman 70.3 Rio essa semana. Esse “namoro” já estava acontecendo faz bastante tempo e é muito justo que tenhamos um evento dessa magnitude na cidade que é o berço do triathlon nacional.

Após longos anos de dificuldades, o triathlon carioca ressurgiu forte em 2014 com um circuito estadual. Bastante charmoso, foi realizado inicialmente no Aterro do Flamengo, Zona Sul do Rio. Posteriormente foi rebatizado de Rio Triathlon e ficou ainda mais organizado, com melhor estrutura, muito profissionalismo e novo endereço, o Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste da cidade. Em 2015 esse circuito se ampliou com provas em diversos formatos, mais etapas, feira expo e recorde de inscritos. Provavelmente este fator contribuiu de forma significativa para que o projeto Ironman 70.3 Rio fosse concretizado.

Em relação às provas que temos no Rio Triathlon, o Ironman 70.3 Rio traz alguns diferenciais importantes. O primeiro deles é obviamente a distância de meio ironman, já que nenhuma das provas do calendário tinha um volume como esse. Outro fator relevante se relaciona aos percursos de ciclismo e corrida que tem particularidades ainda mais empolgantes. Agora, para trazer maiores esclarecimentos aos inscritos que não conhecem o local, vamos falar de cada uma das etapas separadamente:

• NATAÇÃO – acontecerá na Praia da Macumba que normalmente tem boas condições, mas pode apresentar ondas em caso de frente fria. Dependendo da maré, a entrada na água pode estar bem rasa nos primeiros cinquenta metros. Em apenas uma volta com formato predominantemente retangular os atletas irão nadar no sentido horário para completar os 1.900m. É importante que os atletas estejam preparados para todo tipo de dificuldade que possa aparecer. Para isso incluir nos treinos simulações de entrada e saída do mar e orientação dentro d’água serão fundamentais.

• T1 – os atletas irão perder algum tempo, pois são aproximadamente 300m da água até as tendas de troca.

• CICLISMO – serão três voltas de 30km. O diferencial estará no fato de que os atletas irão até o meio da Barra da Tijuca, bairro vizinho ao Recreio, passando por uma área de reserva ambiental onde os atletas terão a oportunidade de ver no mesmo local o mar, a Lagoa de Marapendi e montanhas, como a Pedra da Gávea. Esse trecho é completamente plano, a organização promete um recapeamento do asfalto e caso não esteja ventando, prepare-se para os 90km mais rápidos da sua vida! Em relação aos treinos, para que os atletas consigam extrair o máximo que esse percurso tem para oferecer, acredito que o foco deva ser na tolerância ao lactato e força com treinos de time trial e big gear, respectivamente. E lembre-se que um bom “bike fit” o ajudará a se manter numa posição aerodinâmica que facilitará sua vida nessa corrida contra o relógio.

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• T2 – essa sim deve ser bem rápida, visto que a entrega das bikes já será bem próxima à tenda de troca, portanto se organize para não perder tempo aqui.

• CORRIDA – essa é a parte mais difícil e charmosa da prova! Serão duas voltas de aproximadamente 10.5km saindo do Recreio e indo em direção à Prainha. Famosa entre os surfistas, essa pequena faixa de areia situada entre a montanha e o mar, tem seu acesso após duas subidas, mas é na volta que os triatletas devem ter maior dificuldade. Após o retorno a primeira subida é longa e íngreme e o alto o visual é impagável para onde quer que você olhe. Não esqueça seu boné ou sua viseira, pois essa meia maratona promete ser quente já que não há muito pontos de sombra e podemos ter um dia ensolarado. Em relação aos treinos o foco deve ser nos intervalados de subidas e longos em percursos com altimetria variada.

Faltam aproximadamente dezesseis semanas para essa prova que tem tudo para ser o sonho de consumo de nove entre dez triatletas em todo o mundo, afinal de contas, quem não gostaria de nadar, pedalar e correr na Cidade Maravilhosa?

Nos vemos na linha de largada…

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Rodrigo Tosta, Coach ironguides

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Você segue sua planilha de treinos?

Uma planilha de treinos é algo simples: uma série de exercícios, definidos em um período de tempo, que são desenhados para trazer uma mudança positiva no desempenho do atleta.

Para alcançar isso, a planilha deve conter alguns elementos fundamentais: treinos fortes que visam gerar um estímulo em seu corpo e treinos leves para recuperação, que permitem a adaptação do organismo aos estímulos gerados nos treinos forte. É exatamente essa adaptação ao estímulo que aumenta seu desempenho.

Considerando o que disse acima, seria fácil desenvolver uma planilha, mas, infelizmente, atletas não são máquinas, e todos têm suas especificidades.

Uma máquina responde a uma tarefa de forma previsível: sabemos o que vai acontecer se colocarmos, por exemplo, 10 litros de gasolina em um carro e dirigirmos a 200km/h. Infelizmente, não podemos colocar 1.000 calorias em um atleta e programá-lo para correr a 15km/h com a certeza do que vai acontecer.

Podemos ter alguma noção do que vai acontecer com o atleta, mas não podemos predizer com certeza. É por essa razão que uma planilha de treinamento não é tão simples de ser desenvolvida.

Todos os atletas são diferentes, absorvem os alimentos de forma distinta, queimam a energia de modo diferente, se desgastam em ritmos diferentes e se recuperam em tempos individuais. De fato, há diversos fatores que atuam no corpo e no desempenho do atleta.

Alguns atletas podem treinar forte todos os dias, pois se recuperem plenamente durante a noite. Já outros atletas precisam dois, três ou mais dias entre os treinos fortes. Nós todos somos geneticamente parecidos, mas muito diferentes em nosso desempenho. Ao se desenvolver um planilha de treinos, essas características individuais precisam ser a base de tudo.

Nenhum treinador consegue apenas olhar para um atleta e criar uma planilha perfeita. Um bom treinador vai desenvolver um programa com atletas à medida que conhece suas características e habilidades.

Vamos pensar em um exemplo de treino de velocidade na corrida. Podemos pegar dois atletas com habilidades semelhantes e prescrever o mesmo treino: 5 tiros de 3 minutos de corrida forte com 3 minutos de trote leve entre cada repetição. Esse é um treino clássico da modalidade.

Ambos podem completar o treino no mesmo ritmo e no mesmo esforço, mas o processo de recuperação pode ser bem diferente de um para o outro. Um deles pode acordar na manhã seguinte sentindo-se descansado e pronto para fazer mais um treino forte; enquanto o outro pode amanhecer “quebrado”.

Se ambos os atletas seguem a mesma planilha de treinos, o primeiro atleta fará um bom treino no segundo dia e continuará evoluindo. Já o segundo atleta lutará com o treino, correndo mais devagar do que o prescrito e ficando ainda mais fadigado. Essa situação é muito comum em nosso esporte, especialmente em grupos de atletas que treinam juntos.

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Como consequência, o melhor atleta nas provas não é, necessariamente, o melhor atleta do grupo, mas, simplesmente, o atleta que melhor se adapta à planilha comum de treinos. Com isso, muitos talentos são perdidos nesse estilo de treinamento.

Um bom técnico tem a capacidade de ler cada situação e saber o que mudar para cada atleta. Por exemplo, o segundo atleta talvez precise reduzir a quantidade de treinos fortes para se recuperar e ter o mesmo efeito que o segundo atleta.

Alternativamente, os atletas também podem treinar juntos nas seções fortes, mas os treinos regenerativos serão bem diferentes.

Vamos supor que tenhamos chegado à planilha ideal para um determinado atleta, que está seguindo o programa e melhorando a performance, que é nosso objetivo final. É comum os treinadores mudarem a planilha após algum tempo de treinamento, quase sempre em um intervalo predeterminado e sem sentido. Não há dúvidas de que, em algum tempo, a planilha não vai mais atender ao estresse adequado para um atleta, mas isso é algo que não podemos prever quando desenvolvemos uma planilha.

Repito que esse ponto é muito individual, já que os atletas respondem a estímulos e se adaptam de forma distinta. Alguns logo estão prontos para novos estímulos, enquanto outros demoram para se recuperar. Se um atleta está treinando e evoluindo, alterar a planilha pode cortar ou, até mesmo, reverter esse processo. Com isso, gasta-se tempo e nenhuma evolução é alcançada.

Continuando com nosso exemplo dos dois atletas, aquele de recuperação mais rápida pode parar de se adaptar após 3 semanas de treinos, precisando de um novo estímulo. Já o de recuperação mais lente talvez continue se adaptando aos treinos por 12 semanas ou mais.

Um bom treinador está sempre analisando e obtendo feedback dos atletas, visando estabelecer como a planilha tem funcionado. Saber quando mudar, quando apertar e quando aliviar é a grande virtude de um bom técnico. A chave para o sucesso é entender que uma planilha deve seguir o atleta e não que o atleta deve segui-la.

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Alun Woodward, Coach ironguides

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Aprenda a ouvir seu corpo e ande mais rápido

Por Rodrigo Tosta – ironguides coach, Rio

A tecnologia nos treinos e competições de Triathlon veio para ficar. Porém, em alguns casos, é importante entender que o mundo real não é em ambiente totalmente controlado e nesses momentos você precisa ouvir seu corpo antes de tomar decisões baseadas nos monitores de esforços, como o frequencímetro, medidores de potência, GPS, ou até um simples cronômetro.

Entenda os benefícios de competir e treinar sem qualquer tipo de referência, usando somente sua percepção de esforço.

Nas competições

Enquanto acompanhava alguns atletas em uma competição local, com um percurso de ciclismo bastante confuso, um dos competidores, logo ao sair da transição me falou: “acho que errei o percurso, pois meu Garmin está marcando 42km”. Enquanto isso pode parecer um comentário inocente, esse atleta em questão é um amador de alta performance e tinha como objetivo terminar entre os cinco primeiros colocados no geral.

 

No caso desse atleta, o pensamento negativo de que ele tinha feito alguns quilômetros a mais era visivelmente uma grande decepção e possivelmente atrapalhou na parte da corrida. Pode ser que de posse da informação do Garmim, ele tenha sido pior se comparado a um atleta sem acesso àquela informação de que tinha feito alguns quilômetros a mais.

Uma vez que a prova deixou de ser perfeita, é mais difícil enfrentar os momentos finais e dolorosos da corrida. Já aquele atleta que está tendo um bom dia, sempre terá uma motivação extra no final da prova e em momentos de desafios.

No dia da prova, eu acompanhava toda a movimentação na sombra de um dos postos de abastecimento e mesmo assim estava difícil de aguentar o calor que fazia naquele dia. Os atletas estavam correndo em uma pista sem qualquer sombra e com postos de abastecimentos limitados, o que tornou a corrida muito desafiadora e o dia muito difícil.

Nesta prova, quem planejou correr em um ritmo de 5’30”/km, por exemplo, provavelmente não conseguiu atingir seus objetivos, considerando que ele estivesse treinando em um clima um pouco melhor nos dias anteriores.

Detalhes como estes dois, tanto medição do percurso da prova nas três modalidades, quanto clima e outros fatores naturais da prova, podem ter um enorme impacto no resultado de sua competição e são aspectos que você não pode controlar. Além desses, entram também nessa lista, dentre outros:

> Você não pode controlar se a natação tem mesmo 1.500m
> Você não pode controlar a marola ou vento na água
> Você não pode controlar a força da correnteza
> Não pode controlar a força do vento no ciclismo
> Quantos retornos de 180 graus, com desaceleração quase que completa, terá no percurso
> A distância exata do ciclismo ou a altimetria da prova
> Calor ou altimetria na corrida
> A distância e a quantidade de postos de abastecimentos na corrida

Poderíamos continuar com diversos outros exemplos de condições e circunstâncias que não está a seu controle, porém cada um pode ter um impacto de alguns minutos em seu tempo final. Portanto, é possível sim, que um Triathlon Olímpico, por exemplo, seja em um caso extremo, onde você poderá fazer até trinta minutos mais lento que a mesma distância, na teoria, em um percurso rápido e com alguns metros a menos.

Um atleta experiente que já participou de diversos eventos, consegue entender e visualizar essas diferenças, seja antes, durante ou depois da prova, porém um iniciante ainda é inocente suficiente para comparar suas parciais durante a prova, com seus objetivos estabelecidos antes do evento.

Mas como acelerar esse aprendizado?

Também, sempre existe aquela possibilidade do eletrônico em questão parar de funcionar durante a prova, seja por falta de bateria no Garmim ou um mal contato no Cateye.

E para finalizar, é preciso entende que não somos contra o uso de monitores ou outros eletrônicos em dias de provas, pelo contrário, em alguns casos é uma excelente ajuda, principalmente para segurar os atletas no início das provas mais longas. A mensagem que queremos passar é simplesmente desenvolver a habilidade de conseguir competir bem sem qualquer referência a não ser a percepção de esforço.

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Benefícios nos treinos

De uma maneira simplificada, zonas de treinamentos são estabelecidas baseadas em testes feitos em dias únicos, geralmente em um estado físico relativamente descansado e com uma alta motivação, afinal de contas aquele seu teste determinará a maneira como você deverá treinar nas próximas semanas.

Novamente, entendemos os benefícios de usar monitores em treinos, principalmente para ajudar o atleta a manter o foco nos treinos indoor de ciclismo realizados no rolo. Em alguns casos, ter uma referência e um objetivo gerará um treino de melhor qualidade, pois o atleta fará um pouco mais de forço para atingir determinados objetivos.

Em contrapartida, é importante também entender o lado negativo dessa metologia de treinamento. Começando pelo fato de que o atleta amador, que trabalha e tem família, nem sempre está motivado ou disposto como no dia do teste, portanto é normal que em um desses dias você não consiga atingir as zonas de treinamento desejadas.

Entenda que é absolutamente aceitável treinar um pouco mais lento, e em menor quantidade, do que a série original. No final do dia, você entrará mais em forma treinando pouco, do que não treinando nada. Procure evitar parâmetros de performance como uma influência negativa em sua motivação.

Em um dia ruim, você terá duas opções:

> Não estou conseguindo treinar nas zonas pre-estabelecidas, vou parar com o treino e esperar por um dia melhor.

> Não estou conseguindo treinar nas zonas pre-estabelecidas, vou continuar com o treino, porém um pouco mais lento, pois ainda assim terei benefícios para a minha próxima prova além de ajudar com minha confiança por ter ficado consistente nos treinos. 

O outro lado da situação também se aplica.

Em alguns treinos fortes, você conseguirá treinar acima do recomendado, mas pode ser que tenha medo de fazer isso pois estará fugindo da planilha original. Se esse for o caso, novamente use a percepção de esforço para lhe guiar, contanto que você tenha em mente que precisa treinar bem novamente no dia seguinte, não tenha medo de treinar um pouco acima do usual.

Uma situação parecida são nos dias de testes ou provas, atletas que competem usando principalmente o medidor de potência, preferem segurar um determinado número de watts. Mas principalmente em provas curtas, arrisque um pouco, uma ideia é tampar a informação de potência na sua bike e competir apenas por percepção de esforço, é bem possível que seu resultado seja acima do que você conseguiria fazer caso estivesse seguindo uma referência. Mesmo aumentando o esforço, ainda assim, você conseguirá correr bem.

Conclusão, procure desenvolver um sentimento pelo seu esporte, seja nos treinos ou competições, antes de se prender a qualquer tecnologia, pois no dia da prova, vários fatores que não podem ser mensurados entrarão na equação do Triathlon.

Bons treinos!

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Vinicius Santana, Coach Online ironguides

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Os benefícios da musculação para o triathlon

por Alun Woodward – ironguides

O tema do treinamento de força para atletas de endurance sempre foi controverso entre os treinadores. Alguns a evitam a qualquer custo, outros a consideram a chave para o sucesso. Nos últimos anos, a musculação tem voltado à tona nos círculos de treinamento e quase toda revista de esportes de resistência tem uma seção dedicada a ela. Quase sempre, essas revistas enfatizam que o único treinamento que beneficia os atletas de resistência é o treinamento funcional. O funcional é, essencialmente, um conjunto de movimentos que seguem os padrões usados pelos atletas durante a prática de um esporte específico, sem trabalhar os músculos isoladamente. Apesar de serem ótimos, esses exercícios demandam muito de nosso corpo e requerem um longo período de recuperação que pode afetar a prática de nosso esporte principal.

Acredito que estejamos encarando o treinamento de força da maneira errada quando o olhamos dessa forma. Sim, nós precisamos de pernas fortes para nosso esporte, mas precisamos observar o que precisamos da musculação e dos treinamentos de força enquanto atletas de endurance para melhorar nosso desempenho. Os três fatores que considero chave na musculação para desenvolvimento de um atleta de resistência são:

> Estresse do sistema nervoso central para estimular a liberação de hormônios.

> Melhoria da força do CORE.

> Recrutamento das fibras musculares.

1. Estresse do sistema nervoso central

Quando fazemos musculação com pesos pesados, usamos muita massa muscular, além de precisarmos de equilíbrio, o que faz os músculos do CORE entrarem em ação. Isso tudo leva nosso sistema nervoso central ao estresse. As cargas que colocamos sobre nosso corpo estão acima dos níveis de segurança biológicos, e ele não gosta muito disso. Como resultado, o corpo tenta ficar mais forte, e ele o faz por meio da liberação do hormônio do crescimento (HGH), com o objetivo de fortalecer todos os músculos do corpo, muito além dos ativados. Há vários benefícios nisso para um atleta de endurance. O primeiro é que a força do CORE aumenta significativamente. Nosso corpo é governado por hormônios, quanto mais hormônio do crescimento tivermos em nosso corpo (desde que de forma natural, claro!), mais fácil é manter e crescer a massa muscular. Como consequência, também é mais fácil queimar gordura. Todos nós sabemos que reduzir a gordura corporal é uma das melhores maneiras de melhorar nosso desempenho em esportes como o Triathlon.

Muitos atletas, no entanto, não gostam de levantar pesos pesados, pois ficam com medo de ganhar peso devido ao ganho de massa muscular. Se você estiver treinamento como um atleta de endurance de verdade, esse medo não deve existir, pois nunca estamos em um estado anabólico (de construção) que permita ao nosso corpo fazer isso. Nós usamos o aumento da produção de hormônios anabólicos para contra-atacar o efeito catabólico (de desconstrução) do treinamento duro de resistência, mantendo nosso corpo saudável e equilibrado.

A sabedoria convencional nos ensinou que o treinamento de resistência nos deixa saudáveis e secos, mas a realidade é que vemos muitos atletas com excesso de gordura corporal, apesar do treinamento intenso para uma maratona, um Ironman etc. A razão disso é que, quase sempre, o corpo não está equilibrado. Ao adicionarmos a musculação a esses atletas podemos ajudá-los a secar e a melhorar sua composição corporal, beneficiando seu desempenho.

Exercícios

Como eu disse antes, embora os exercícios para pernas sejam os mais efetivos para estimular a resposta hormonal, eles também são muito desgastantes e podem afetar nossa consistência nos treinos de Triathlon. Prefiro os exercícios que foquem a parte de cima e o CORE. Meus favoritos são:

> Desenvolvimento militar (military press): realizar 3 séries de 5 repetições com o peso que você aguentaria em, no máximo, 7 repetições.

> Barra fixa (pegada aberta): realizar 5 séries até uma elevação antes de você não conseguir mais.

> Supino: 3 séries de 5 repetições com o peso que você aguentaria em, no máximo, 7 repetições.

> Flexões: 5 séries de 5 repetições, bem devagar e controlado.

Da próxima vez que se sentir sem forças, sofrendo nos treinos de Triathlon, vá para a academia e faça uma rotina como a descrita acima. Você se surpreenderá com a energia que terá no dia seguinte.

2. Melhoria da força no Core

O fortalecimento do CORE tem sido um tópico muito discutido nos últimos anos. Muitas da invenções e produtos do mercado de fitness visa exatamente isso. Muitas pessoas acreditam que a força no CORE é desenvolvida com séries de 200 abdominais e treinos de equilíbrio em bolas de ginástica. A verdadeira força no CORE, no entanto, é a habilidade dos seus músculos apoiarem seu corpo em uma postura firme, permitindo aos músculos maiores trabalharem de forma mais efetiva ao desenvolverem suas tarefas. Se eu tenho músculos do CORE fortalecidos, vou me mover de forma mais eficiente, poupando energia, o que é essencial no Triathlon. Se você observar os grandes atletas de nosso esporte, como Craig Alexander, verá que seus movimentos parecem muito fáceis e relaxados, independentemente da velocidade e do esforço que estão empregando. Isso se deve à força do CORE, que garante a eficiência do movimento.

Quando olhamos para Craig Alexander, Chrissie Wellington, o grande corredor Haile Gabresalessie, entre outros, acreditamos que a chave para o sucesso está no grande volume de treino. Quando ouvimos que Haile corre 200km por semana, achamos que sua força vem daí, mas esquecemos de olhar o outro lado: o tempo que ele gasta na academia para garantir que possa manter sua grande técnica quando estiver cansado. Chrissie Wellington já comentou várias vezes sobre a importância do treinamento de força em seus treinos e o que ela faz na academia com seu técnico, Dave Scott.

Então, quais são os exercícios para o fortalecimento do CORE? Basicamente os mesmos que descrevi acima. O desenvolvimento militar é o meu favorito. Para realizá-lo, você precisa ativar totalmente seus músculos abdominais e glúteos. Você notará, após algumas repetições, que não é o ombro que fornece a energia, mas seu abdômen, que começa a “fritar” primeiro.

Flexões, em suas diversas variações, são ótimas, já que você precisa dos abdominais ativados. Você sentirá mais dores no abdômen mais do que nos peitoral e do que nos ombros. Elevações na barra (especialmente as de pegada fechada) também são excelentes, já que muitas pessoas, até mesmo atletas de ponta, têm dificuldade em fazê-las, já que é necessário uma ótima postura corporal. Por isso, é necessária aumentar a força aplicada pelo CORE.

Eu não acredito em rotinas separadas de musculação para o CORE. Elas devem fazer parte de um programa de musculação completo. Como triatletas, não temos tempo para ir à academia 4 ou 5 vezes por semana, então temos que “matar” tudo em duas seções por semana. Eu sugiro uma vez por semana executar a rotina para estresse do sistema nervoso central e uma vez por semana executar uma rotina com kettlebells e alguns exercícios para controlar o peso corporal. Eu adoro uma rotina que chamo de “o desafio dos 50″:

> 50 elevações na barra – descanse o suficiente para completá-las

> 50 kettlebell swings – comece com dois braços e depois evolua para um braço

> 50 flexões com caminhada – a partir da posição da flexão caminhe com as mãos para frente e para trás.

> 50 kettlebell clean and press (versão modificada do swing) ou 50 kettlebell snatches

> 50 flexões normais.

3. Recrutamento de fibras musculares

Esse é um ponto no qual podemos fazer nosso desempenho em esportes de resistência melhorar demais! Quando praticamos esportes de resistência, costumamos recrutar uma área muito pequena das fibras musculares. Em geral, em torno de 20% delas são efetivamente utilizadas. Para piorar, sempre usamos as mesmas fibras. O que acontece é que as fibras ficam cansadas e nosso corpo não tem mais de onde tirar forças, obrigando o atleta a diminuir sua velocidade.

Esse á uma das áreas que tem ganhado destaque nos treinamento de atletas de ponta. Renata Canova treinadora de vários atletas quenianos de primeira linha, utiliza sprints de 200m de corrida em subidas no fim de treinos fáceis como forma de conseguir mais recrutamento de fibras musculares. Em nossos programas de treinamento na ironguides, usamos tiros a 200% na piscina e na bike para alcançar isso. Ao treinar regularmente essas fibras adicionais, seu corpo tem alguma reserva para lidar com situações difíceis, quando as fibras de resistência bem condicionadas começam a falhar.

Apesar do fortalecimento em treinos esportivos ser bom, eu acredito que possamos obter resultados incríveis na musculação, usando equipamentos de isolamento muscular. Muitos treinadores não gostam desses aparelhos, mas eu acho que eles se encaixam bem em nosso propósito. Um exemplo é o extensor de pernas, que isola o quadríceps. Essa máquina o deixará com muita dor rapidamente, após 8 ou 10 repetições, gerando a ativação de todo o músculo. Para obter mais desses exercícios é importante manter a carga pesada o suficiente para você realizar apenas 10 a 12 repetições. Também não carregue muito a ponto de você fazer apenas 3 ou 5 repetições, pois haverá muito pressão sobre suas articulações do joelho. As únicas máquinas que uso para esse objetivo é o extensor de pernas e o flexor de penas.

Em resumo…

Eu espero que você agora veja porque a musculação pode ser uma ferramenta extremamente efetiva no seu treinamento de endurance. Lembre-se de usar carga pesada e seja específico naquilo que queremos alcançar: trabalho de recuperação hormonal, fortalecimento do CORE e aumento do recrutamento muscular.

Aproveite o seu treinamento!

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